A audiência pública que debateu na Câmara Municipal de Curitiba o impacto da passagem dos trens na cidade, principalmente com relação ao apito, reservou espaço para os comentários feitos pelas mídias sociais oficiais do Legislativo. Do encontro, promovido pelos vereadores Bruno Pessuti (PSD), Cristiano Santos (PV) e Serginho do Posto (PSDB), poderá ser criada uma comissão especial para tratar de assuntos ferroviários, envolvendo órgãos municipais e federais (leia mais). Depois da fala de todos os presentes, Pessuti leu os comentários publicados até aquele momento no Facebook, Twitter, YouTube e Instagram do Legislativo. “Quero registrar as participações feitas pela internet”, disse.

O maior número de comentários foi no Facebook. Cris Shoenherr escreveu: “Pena que não estou em Curitiba agora, para poder participar; moro perto da linha do trem e sei o quanto é ruim estar dormindo de madrugada e acordar com aquele barulho estrondoso, é péssimo para a saúde, é estressante para os bebês e idosos. Os trens não deveriam parar em áreas residenciais”. Fatima Lima considera o apito do trem “infernal!!!”. Rodrigo Barbieri concorda com ela dizendo que é “infernal para quem mora perto da linha do trem e só estes curitibanos podem falar e ter opinião”. Roberto Santos Junior perguntou a Rodrigo Barbieri: “Você já chegou a filmar? Pra dar noção de como é incômodo”.

Sandro de Castro e Silvia Zoraski entendem de outra forma. Ele escreveu que “a buzina do trem tem a nobre finalidade de anunciar o seu deslocamento, portanto, item indispensável à segurança de todos”. Ela acredita que é “melhor ouvir o apito do trem que os gritos de dor de alguém que perdeu um ente querido atropelado”. Tanto para Silvia como para Sandro, Rodrigo Barbieri respondeu: “fala isso porque não mora perto do trilho né. Daí é fácil ter esta opinião”. Cris Shoenherr emendou: “por que emitem sons tão altos em locais onde tem passarela?”.

Rogerio Suhett levantou a questão sobre o crescimento da cidade que acabou abrangendo áreas menos populosas no passado e questionou “quem chegou primeiro?”. Para João Lemos, “antes o trem não passava de madrugada. Isso é coisa que passou a acontecer de alguns anos pra cá. Então é totalmente inválido esse argumento de que quem mora perto do trem não pode reclamar porque o trem já estava lá antes”.

Cris Shoenherr também respondeu a Rogério Suhett: “o ser humano chegou primeiro. Estamos acostumados a deixar o bem-estar e a qualidade de vida sempre em segundo plano. O ‘problema dos outros’ nunca é meu se não me atinge diretamente, infelizmente a maioria pensa assim. Nenhuma necessidade desse barulho de madrugada, quando as pessoas estão tentando descansar para trabalhar no outro dia. Mas o trabalhador não tem valor algum, só serve para pagar impostos que não lhe garante bons serviços”.

Pelo Twitter da Câmara de Curitiba, Karin Aline também fez o mesmo questionamento sobre “quem chegou primeiro....o trilho do trem ou as casas?” e pontuou que “a linha férrea já existia quando as pessoas começaram a colocar as casas em volta. As pessoas já colidem com trem mesmo com o apito..imagine sem”. Bruno Campitelli, nesse mesmo sentido, ironizou: “Só em Curitiba onde a Stock Car tem que correr com silenciador, agora incomodado com apito de trem. Santo Deus...”.

O perfil identificado como As Trezentas Raposas escreveu que trabalha no Tatuquara e ouve com frequência o apito do trem, mas “não atrapalha em nada meu serviço e nem meu sono na madrugada, pois moro no Campo de Santana. O desvio da cidade veio antes das casas por aqui. Não há nada a ser feito. Só se acostumar. É uma honra ajudar a cidade que eu escolhi para viver”.

Pelo YouTube, canal que transmitiu ao vivo a audiência pública na íntegra, o perfil Estrada de Ferro Morretes Antonina comentou que “a questão de segurança do trânsito em relação aos trilhos é muito mais ampla e séria [do] que a questão do apito do trem”. E pelo Instagram da CMC, Daniel Lopes escreveu: “Se mesmo com o apito as pessoas não prestam atenção. Na minha opinião achei desnecessário essa pauta, podiam focar em outros assuntos, mas fazer o que né que comece o debate”. Bruno Pessuti convidou o Daniel a trazer para o Legislativo um assunto que seja de interesse dele e concluiu: “Todos os assuntos são importantes para a Câmara Municipal”.

Audiências públicas
A Câmara de Curitiba realizou no ano de 2019 quase 30 audiências públicas abordando diferentes assuntos, o que dá uma média de uma por semana, aproximadamente. Além das audiências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga as secretarias de Finanças a divulgarem a cada quatro meses os dados dos municípios, os vereadores trataram de: infraestrutura viária de Curitiba e região metropolitana, serviço de fretamento, intolerância religiosa e racismo, violência nas escolas e práticas restaurativas, reciclagem de resíduos sólidos, Campanha da Fraternidade, cidades inclusivas para mulheres seguras, dificuldades na relação entre leituristas de água e luz com os cachorros domésticos, entre outros.

Fonte: CMC